Professor douctor Anselmo Borges, maior autoridade na teologia e filosofia de Portugal, escreveu no dia 30 de janeiro este artigo no jornal Diário de Noticias Não há dúvida de que estamos a viver uma transformação prodigiosa do mundo, uma revolução talvez só parecida com a do "tempo-eixo", como lhe chamou Karl Jaspers. Há quatro revoluções em marcha. Uma revolução económica, com a mundialização, que significa a concretização da ideia de McLuhan de que formamos uma "pequena aldeia" e a chegada ao palco da História de grandes países emergentes. Outra é a revolução cibernética, que, como disse Jean-Claude Guillebaud, faz nascer um quase-planeta, um "sexto continente". A revolução genética transforma a nossa relação com a vida, a procriação e pode fazer bifurcar a Humanidade: a actual continuaria ao lado de outra a criar. Também está aí a urgência da revolução ecológica, que, se a Humanidade quiser ter futuro, obriga a uma nova relação com a natureza. Sem esquecer o perigo atómico e do terroris- mo global.
Perante todas estas revoluções e face aos problemas que agora são globais, como a droga ou o trabalho, impõe-se, em primeiro lugar, pensar numa governança mundial. Depois, não sei de que modo o futuro será, como diz J.-Cl. Guillebaud, uma "modernidade mestiça", mas, para evitar o "choque das civilizações", impõe-se o diálogo intercultural e inter-religioso. Há anos que o famoso teólogo Hans Küng se não cansa de repetir que, sem paz entre as religiões, não haverá paz entre as nações, e essa paz supõe o conhecimento e o diálogo entre as religiões.
Coube também a Hans Küng o desafio para preparar o projecto do que em 1993 se tornou a "Declaração para uma ética mundial", aprovada pelo Parlamento das Religiões Mundiais, em Chicago. A Declaração é um documento humanista, que proclama programaticamente: "Frente a toda a inumanidade, as nossas convicções religiosas e éticas exigem que cada ser humano deve ser tratado humanamente. Isto significa que cada ser humano - sem distinção de idade, sexo, raça, cor da pele, capacidades físicas ou espirituais, língua ou religião, consideração política, origem nacional ou social - possui uma dignidade inalienável e inviolável. Todos - tanto o indivíduo como o Estado - têm de respeitar esta dignidade e garantir a sua defesa efectiva". Os direitos e os deveres humanos é aqui que assentam. Este princípio fundamental de humanidade determina-se mais proximamente pela regra de ouro - o princípio da reciprocidade --, que constitui o segundo princípio de uma ética comum à Humanidade: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti" ou, formulado positivamente: "Faz aos outros o que queres que te façam a ti."
Mas onde se fundamentam a dignidade e os direitos humanos? Questão gigantesca, que tem a ver com a problemática do pré-jurídico e do pré-político, debatida há anos, num diálogo célebre entre o então cardeal J. Ratzinger e o filósofo J. Habermas, e a que se referiu também, pouco antes de morrer, L. Kolakovski: "Sem tradições religiosas, que razão haveria para respeitar os direitos humanos? Vendo as coisas cientificamente, o que é a dignidade humana? Superstição? Do ponto de vista empírico, os homens são desiguais. Como justificar a igualdade? Os direitos humanos são uma ideia a-científica."
Numa universidade portuguesa, o professor de Ética confronta há anos os estudantes com um experimento mental: "Suponhamos que um país vai invadir outro - nessa hipótese, vai haver, evidentemente, muitos mortos. Mas o país invasor suspende a invasão, se o Governo do país a ser invadido estiver na disposição de matar um inocente." Há quatro anos, todos os estudantes se revoltaram contra a perspectiva da morte do inocente. Há dois anos, já dois estudantes se pronunciaram a favor. No ano lectivo em curso, em 16 estudantes, só uma jovem se opôs ao assassinato do inocente. Os outros foram argumentando que, aceitando a invasão, muitos morreriam, eventualmente também o inocente. Portanto... A conclusão é que o próprio Homem se tornou objecto de cálculo, coisa negociável. Assim, já não pode haver dúvidas: no meio das gigantescas crises mundiais, o núcleo mesmo da crise no nosso tempo é a crise de valores, a crise moral.
Primeiro texto da Vírgula, escrito em 11 de novembro de 2008:
Temos a tendência de colocarmos o ponto final, não apenas no que escrevemos, mas também depois daquilo que sentimos inesperadamente, depois daquilo que pensamos passageiramente, depois daquilo que olhamos rapidamente. Por que nao irmos mais além?
Este é o motivo de termos criado este espaço, colocarmos uma vírgula e escrevermos mais, vermos mais, pensarmos mais, sentirmos mais. Que aqui todos nós possamos plantar e também colher pensamentos e idéias. Um espaço aberto à todos para dividirmos nossos pensamentos, lembrando que o mais simples dos pensamentos, assim como o mais complexo, sobre a política de nossa era ou o orvalho desta manhã, independentemente da complexidade, é alimento de mesmo valor aos nossos pontos de vistas. E por que isto é tão importante? Pois é assim que se caminha para a compreensão, a qual leva ao entendimento, à ajuda mútua, ao crescimento em todas as esferas no sentido do bem estar comum,
Como todos sabem, em alguns países o serviço militar é obrigatório, como na Lituânia, Letônia, Polônia e etc. Outros países, como Espanha, França ou Itália também tem os seus exércitos, mas o serviço militar é voluntário. Pois é óbvio que sempre haverá pessoas que irão querer aprender o manusear de armas e que em certos momentos poderão atirar em nome da sua nação, e então por espontânea vontade servirão ao exército.
Vem a pergunta se ainda é necessário a obrigatoriedade do serviço militar? Ou se ainda as pessoas terão que procurar todos os meios para se verem dispensados de tal obrigação(Como muitas vezes acontece na Lituânia)? Realmente queremos que alguém mate em nome de nossa liberdade ou por motivo que normalmente não são tão claros? Qual é vossa opnião sobre isso?
Falando sobre este tema podemos lembrar de Israel, que nos últimos tempos sempre está nas notícias. Em Israel o serviço militar é obrigatório tanto para homens como para mulheres. Na lista para as forças armadas estão até mesmo imigrantes (!). Todavia mesmo lá, onde há um conflito sério com a Palestina, aparece pessoas que se negam a entrar para o exército e lutar contra o inimigo apontado. Shministim, um movimento de alunos em Israel, que por vários motivos são contra o derramamento de sangue e guerras, muitas vezes são punidos e perseguidos.
Realmente um grupo de soldados são capazes de conquistar a nossa liberdade, no sentido verdadeiro da palavra?
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Escreve Eduardo Mendes Barbosa, Brasil
Há muito tempo os exércitos são usados, não como uma alternativa de DEFESA de uma nação, mas como um
instrumento de medo e soberania em defesa de GOVERNOS que agem como se fossem os “escolhidos divinos” e não
como os escolhidos da nação para imporem interesses que julgam serem corretos. Estes interesses na maioria das
vezes estão atrelados ao poder econômico.
Acho que nestes países que por tradição entram muitas vezes em conflitos territoriais, como Israel, é bem mais
difícil mudar a obrigatoriedade de servir ao exército do que em países que não tem, em sua história recente,
conflitos deste tipo. Minha preocupação é se existe a possibilidade de ir contra isso apenas impondo ideias e
discutindo soluções, sem a utilização de armas,
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Escreve Kristina Survilaitė, Lituânia
Desde os tempos mais remotos as pessoas discordavam-se, lutavam-se uma contra as outras, isto está em nossos genes. Um dos motivos de criar o Estado foi a defesa contra os inimigos externos. Se olharmos para o exército do ponto de vista dos direitos da pessoa, então claro que assassinatos, não importa com qual objetivo, ou defendendo a nação ou estravazando a raiva, seria não permissível, mas não é atoa que mesmo países muito evoluidos do ocidente em seu sistema judiciário e em leis internacionais, regulamentando os limítes do uso da violência, faz ser legítimo o uso de métodos violentos, e um destes momentos é numa guerra por exemplo.
Na minha opinião o exército é necessário, a pergunta é qual o limíte do uso da força.
De acordo com as leis internacionais é proibido a intervenção de um Estado no território de outro Estado, mas no século XXI ainda não é descartavél uma coisa assim. Excelente exemplo é a guerra entre Rússia e Geórgia. Mesmo que na minha opinião a comunidade internacional interveio muito pouco neste conflito, mas influência mesmo assim de alguma forma houve. Um Estado depois da guerra pode ser isolado e e expulso da comunidade internacional, isto é um castigo terrivel ao Estado.
Pois então, o exército é necessário, mas eles devem existir para garantir a independência e a defesa do território de um país, e não para a defesa de interesses de determinados grupos politicos ou pessoas influêntes.
Mas sou a favor de um exército prifissional, se a pessoa não quer servi-lo, não deveria ser obrigado. Na minha opinião isto feriria os direitos humanos, pois nunca se deve obrigar alguém a oferecer sua vida . Se há pessoas que fazem isso por espontânea vontade e quer dedicar sua vida às forças armadas, para que precisamos traumatizar pessoas e obriga-las a servir,
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Escreve Frank Van der Berg, Holanda
Tão pouco que eu sei sobre a organização de Shministim, parece que é um movimento que merece todo o respeito. As pessoas e líderes em Israel só precisam entender que uma nação é uma comunidade ‘imaginada’. É um tipo de ‘ideal’ (sem que eu diga que é um bom ideal) que numa parte geográfica limitada mora só um povo ou pelo menos este tem todos os direitos para oprimir os outros, porque o país seria destinado para aquele povo. Em quase todos os países há algumas problemas assim, pessoas que não podem aceitar a realidade que moram estrangeiros no país delas. Acho que deve ser o direito de todos refusar o serviço militar. Toda a gente que é em favor da liberdade de expressão precisaria pensar assim, porque o serviço militar obrigatório nos deixa lutar para ideais do governo de um país em que nascimos por acaso.
Do outro lado, podemos votar e assim temos influência na opinião geral do país. Talvez seja bom quando a maioria da nação quer que o indivíduo lute para a nação, que isso acontece. Se não seja assim, o governo provoca descontatamento (porque a democracia não está funcionando).
Mesmo assim, a minha opinião não muda. Não é bom para um indivíduo com intenções pacifisticas lutar numa guerra, e representar lá um conceto vago como a ‘nação’. Ele podia estar filosóficamente no outro lado, como um alemão anti-nazista na segunda guerra mundial. Por isso, penso que deve ser um direito de refusar o serviço militar. Se não, o indivíduo risga morrer para idéais que não compartilha.
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Escreve Aušra Bučytė, Lituânia Nunca refleti sobre isso se o serviço militar deve ou não ser obrigatório. Na verdade sou a favor de que haja exército, mas não necessariamente que anualmente jovens sejam chamados para ele. Acho que o correto é haver para todos os homens um treinamento curto de algumas semanas, assim não haveria um longo periodo longe da família e amigos, não precisaria deixar estudos ou trabalho. Mas com as mulheres a situação é totalmente diferente. Não penso que Israel age corretamente, quando obriga tanto homens como mulheres, pois a mulher por natureza é destinada não a isso. Mas acho que elas tem que ter o direito de escolher se querem ou não servir, quando são fortes suficientes, querendo aprender o que é um exército.
A última idéia vinda deste tema é que a civilização comtemporânea não é uma selva. As guerras contemporâneas são feitas de palavras e ideias. Apenas delas e não de armas, podemos resolver qualquer problema, resolver todos os desacordos, negociar. E como seria bom se isso compreendesse não somente nós, mas e outros países: Irão, Israel, Estados da Àfrica,
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Escreve Vladas Bartochevis, Lituânia/Brasil
São relevantes as posições daqueles que defendem a obrigatoriedade do exército e daqueles que são contrários.
Aqueles que são a favor dizem que é necessário que todos os cidadãos saibam manejar armas e o que é uma situação de guerra. Dizem que nosso povo pode ser pacífico, mas nunca se sabe as intenções de um país vizinho, e todos tem de estar preparados para defender sua nação dos perigos.
Os contrários dizem que já foi muitas vezes provado que um exército profissional, mesmo que seja bem menor, tem muito mais eficácia do que um exército maior de amadores que sempre vestiram os uniformes apenas por obrigação.
E além deste argumento há o fato de ser uma agressão ao ser humano obrigá-lo a fazer o que não se quer. Sempre achei uma arrogânia imensa dos Estados verem o cidadãos como seus instrumentos, quando deve ser o contrário.
Cada um deve ter o direito de escolher os rumos da sua vida... se quer fazer parte de um grupo de soldados, ou de um grupo de médicos, de engenheiros, de carpinteiros, etc. Pois assim vê-se não apenas o uniforme, mas fica também vizivél o coração e a alma, essenciais para qualquer sucesso,
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Escreve Pedro Ivo(Hadenes), Brasil
{Devemos sempre nos perguntar qual é o senso de nacionalismo? Amar a cultura em que vive? Em que nasceu? Ser fanático pela bandeira do país?
Eu particularmente não sou nnacionalista extremista, gosto muito pouco da cultura do país em que nasci. Agora isto é errado? Com certeza não...
As guerras servem pra defender algo em comum em ambos os lados das froteiras inimigas...pode se haver um crescimento na guerra quando omais forte se torna vencedor dos fracos...mas nem sempre esses fortes são bons como podemos ver na história tanto religiosa como politica...na verdade são fracos mascarados de fortes...enganadores no fundo de si...
Acho que o mundo não chega mais a este pensamento, mas a humanidade só evoluira quando deixar esse patriotismo descabido e sem proporções.
A humanidade só evoluirá quando tiver a mentalidade não de país, mas que o MUNDO, o planeta terra em geral é seu país!),
Um novo texto poderá aqui aparecer daqui um mês ou amanhã. Deixaremos este espaço aberto e livre para receber pensamento e idéias assim que eles quiserem emergir em palavras.
Ditado da Vírgula
"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos idealistas e esforçados pode mudar o mundo, este é a única coisa que sempre vence." Margaret Mead
Participantes do Projeto: ->N'cok Lama, Guiné-Bissau/Portugal, 36anos, é Bacharel em Inglês, é escultor, e neste momento estuda Filosofia na Universidade de Coimbra e trabalha em um supermercado da mesma cidade ->EvaGedris, Polônia/Lituânia, 22anos, jornalista e estudante de Ciências Sociais em Vilnius ->KristinaGedgaudaite, Itália/ Inglaterra/ Lituânia, estudante de Línguas da University College London ->Frank Van den Berg, Holanda, 24anos, estudante de de Línguas e Culturas Portuguesas e Francesas da Universidade de Utrecht ->Aušra Bučytė,Lituânia, 23anos. estudante de Ciências Políticas -> Pedro Ivo(Hadenes),Brasil, 27anos, administrador, filósofo quântico, poeta, escritor, ocultista ñoturno, fundador da Comunidade Ártemis Mortis Lux: http://templovampirico.forumeiros.com/portal.htm ->Kristina Survilaitė, Lituânia, estudante de Magister de Direito Polonês: ->Dorota Skočik, Espanha/ Lituânia/ Polônia, 23anos, estudante de Ciências da Cultura e Humanidade, ativista da cultura, e possui um grupo de música http://jutrowracam.blogspot.com/
Língua Esperanto: ->Dalicija Szuszczewicz, Lituânia/Polônia, 23anos, estudante de Psicologia
Redatores: ->Mariana, Brasil, 36anos, secretária de uma empresa de São Paulo ->Kristina Remeikyté, Lituânia, 24anos, diretora de uma empresa e estudande do magistério de Direito ->Dovilė Gelcinskaitė, Lituânia, 21anos, estudante de Direito ->Milda Kuculytė, Lituânia/ Polônia, 23anos, estudante de Economia Obs: Os possíveis erros gramáticais não devem ser considerados das redatores, pois muitas vezes os textos são publicados antes da sua supervisão ou os erros são mantidos a pedido do autor.
Todos os membros citados ajudam de forma voluntária este projeto não governamental que não tem fins lucrativos. O objetivo deste projeto pode ser lido no primeiro texto, que se encontra agora no arquivo logo a baixo.
Objetivos
Cinco objetivos essenciais: refletir sobre o hoje, sobre o que está neste momento frente aos nossos olhos; refletir sobre a vida, sobre o que passa por nossas cabeças ou corações; dividir, plantar e colher sentimentos; apoiar idéias, como as de Ludwik Zamenhof, que criou o Esperanto com o sonho de um mundo colorido e ao mesmo tempo unido; e lembrar os exemplos, pessoa ou acontecimento que contribuiu ou contribui para o avanço rumo a um mundo melhor.
E no futuro queremos criar pontes para que as idéias aqui nascidas cheguem até organizações, instituições e pessoas que tem o poder de decisão.
Ainda lembrando que a essência do nosso projeto é estar aberto a todos independentemente de idade, sexo, cor, religião, e chegar aos quatro cantos. Por isso, no futuro tudo o que aqui for escrito será traduzido para outras línguas: inglês, francês, alemão, etc. Por hora será em português e lituano (http://kableliai.blogspot.com/)