21 de março de 2009

Falar a esperança - quarta lição

Esperanto - Português

Ni ne vivas por mangi, seb mangas por vivi – Nós não vivemos para comer, mas comemos para viver.
Ni lernas, per ke ni sciu – Nós estudamos para saber.
Mi venis por vidi vin. – Vim para ver você.

Formas do verbo:
Esti - infinitivo (estar)
Estis - passado (estava)
Estas - presente (está)
Estos - futuro (estará)
Estus - condicional (estaria)
Estu - imperativo (esteja)

Organizou: Dalicija Szuszczewicz

Vírgulas do agora

Dia 08/03/2009
A minha vírgula de hoje seria esta... e então pergunto o que fazer: quando já não vejo mais cores, não há sabores, não sinto mais qualquer perfume, até mesmo o vento já não sopra em nenhuma direção...?

Dia 26/02/2009
Cada pessoa tem um poder incrível de influênciar o ambiente e as outras pessoas. Há pessoas que com sua paciência, sua atenção ou mesmo com seu simples sorriso ou simples presença enche a alma dos outros de entusiasmo, incentiva a ver nas pequenas coisas maravilhas, flores na neve, desenho nos muros cinzas... e há pessoas que com o simples olhar de raiva ou desprezo são capazes de confirmar qualquer teoria que viemos do pó, somos um amontoado de pó, e nos transformaremos em pó,

Dia 20/02/2009
Subi no autocarro(onibus), era bem cedo mas o sol já havia surgido. Nada se via pela janela, pois aqui na Lituânia estes dias estão muito frios, naquele momento estava por volta dos -8 graus. E quando é assim, pelas janelas dos autocarros nada se vê, pois congelam-se. Mas o gelo que se forma nas janelas as vezes tomam forma de flores, assim como neste dia. Belíssimos desenhos de flores por todas as janelas... Pensei em duas coisas: a natureza tem a tendência natural para a beleza, não é necessário as mãos dos humanos. A segunda coisa é que a beleza está em toda parte, a pergunta é apenas uma: como olhamos?,

Dia 12/02/2009
Obriga a pensar... hmm... e se penso, significa existo? Estar e existir significam duas coisas diferentes eu acho... mas eu gostei dos seus pensamentos, espero mais!!!
Anômico

Dia 10/02/2009
Andava por uma loja de eletronicos e observava os novos televisores, apenas por curiosidade, pois os preços minimos eram de 3 mil euros. Quanto mais andava encontrava mais modernos e caros televisores. Por ironia eles estavam ligados no canal CNN, o qual apresentava uma reportagem sobre as crianças de Uganda, que mal tem lápis para escrever na escola, a qual nem cadeiras tem... interessante momento para mim,
Vladas

Dia 05/02/2009
O que é um louco? Aquele que desviou-se da realidade? Ou da vida estandartizada, onde a essência da vida são as expectativas, quando apenas espera-se e tenta-se não decepcionar?,
Vladas

Dia 28/01/2009
As pessoas nasceram, assim como as árvores, enraizar-se e depois se expandir para todas as direções, sem limites. Tudo o que limita a liberdade, não sendo para a proteção da liberdade do outro, é contra a naturalidade do ser humano,
Vladas

Dia 04/01/2009
Andam o avô e o neto, o neto pega a neve e tenta fazer uma bola, o avô explica que a neve deve estar húmida para isso... Bonito perceber aquele momento, o qual sabemos que a criança guardará para sempre,
Vladas
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Dia 29/11/2008
Não é a primeira nem a segunda vez que penso em alguém e esta pessoa também está a pensar em mim. Fico a saber quando resolvo telefonar ou escrever para ela.
Telepatia? Não sei nomear, mas sei que posso ser categórico em uma coisa: há muito mais do que a ciência e os olhos podem enxergar,
Vladas
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Esperava o autocarro sentado num banco e olhava o relógio. Em minha cabeça trabalho, estudos, contas e outras mil coisas. Uma criança pára em minha frente sorrindo e demorei alguns segundos para lembrar de sorrir também... Há algo de errado quando é necessário raciocinar antes de responder ao sorriso de uma criança,
Vladas 13/11/2008

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Estive a visitar um senhor, com cerca de 70 anos, muito bem disposto. Ele me mostrava fotos de 30, 40, 50 anos atrás...de repente olha para mim perdendo o sorriso que estava firme desde que cheguei e diz: "parece que foi ontem",
Vladas 11/11/2008

15 de março de 2009

Escrito por Vladas Bartochevis, Lituânia/Brasil
Falava com alguns amigos sobre a sensação de que o tempo está a caminhar mais depressa.
Parece que um ano demorava mais tempo, o mês era mais longo, o dia passava mais devagar.
Porém não podemos culpar o relógio. Os seus ponteiros estão a caminhar no mesmo ritmo de sempre, são nossos olhos que estão cada vez mais virados para o passado e o futuro, e quando lembramos de olhar novamente para os ponteiros assustamo-nos que o dia já acabou, que a semana já acabou, que o ano já acabou, que a vida passou.

Olho para o relógio e o ponteiro passa pela quarta hora da tarde, neste mesmo horário ontem estava a ler um livro perto da janela, e um instante de segundo ainda dúvido que isso foi a 24 horas atrás, e não a alguns minutos, como parece.
Já faz uma semana que organizei e escrevi a Vírgula e cá estou novamente, parece que foi ontem.
Parece que faz tão pouco tempo que eu estava com a bicicleta, o Eduardo com os patins, e passeavamos no Ibirapuera num domingo ensolarado de novembro, pensando onde estariamos daqui 10 anos... e não me lembro que mencionamos nem 10% daquilo que hoje é nossa vida. Então tento me esforçar para lembrar tudo aquilo que passou no Meio entre aquele dia e hoje, e mudou tanto assim os planos.

Aquilo que está no meio entre a semana passada e esta semana, aquilo que está no meio entre as 4 horas da tarde de ontem e as 4 horas da tarde de hoje, aquilo que está no meio entre aquele domingo de verão do Brasil e esta quarta-feira de início de primavera da Lituânia: foi a vida. Este exato momento que passo os olhos por esta palavra: é a vida. E a grande tragédia é quando não percebemos isso.

Este Meio entre este momento presente e o dia de amanhã, e a semana que vem, e o ano que vem quanto mais cheio, mas curto parecerá tornar-se.
Uma solução é esvaziá-lo, não conhecer pessoas novas, não procurar descobrir novos lugares, se fechar às novas sensações ... uma vida vazia, mas que parece longa.
A única solução para uma vida plena que não passe despercebida, é aquilo que nos convida a antiga expressão latina Carpe dien. E é aquilo que certa vez minha professora de psichologia Jūratė Laurinavičiutė disse ser a unica maneira de frear o tempo e viver a vida: viver o aqui e o agora,
Escrito por Aušra Bučytė, Lituânia
O que é democracia?

As vezes da vontade de perguntar a alguém o que é democracia. Sei que posso encontrar resposta simplismente entrando na wikpédia, onde explica com palavras simples que é uma forma de governo onde todos os cidadãos tem o direito de participar, diferente de outras formas de governar onde este direito é reservado apenas para uma classe social ou um certo grupo... Mas o que fazer se esta resposta não me satisfaz? O que fazer se surgem perguntas?


Platão escreveu sobre o estado do bem-estar. Mais tarde estas palavras foram mencionadas por Kant, Hegel e outros grandes filósofos. Todavia ao criar sua visão de estado do bem-estar Platão por algum motivo não achou que isso seria possível fazer com condições ditas democráticas. Claro que isso pode ser explicado pelo contexto histórico, pois naquele momento Atenas não tinha nenhuma práctica democrática. Mas eu de forma nenhuma compreendo porque passados mil anos desde a criação da democracia antica, começado a criação dos estados atuais, entre os mais famosos cientistas e filósofos a democracia não tem tantos admiradores. Os pensadores dos últimos cem anos compara esta forma de governo com o depotismo. Talvez apenas no século passado ela é vista de forma mais suave, mas ainda há as opniões que a democracia real e seus objetivos visionados divergem-se.


A maior divergência pode-se dizer que é esta: a democracia representa a maioria, mas todos os cidadãos do país tem o direito de participar do governo. As eleições limitam o número de participantes. Cidadãos criam partidos políticos (até aqui isso é democrático), participa das eleições (ainda aqui tudo bem), são escolhidos quem vai para as instituições governamentais, e eis aqui, segundo muitos pensadores, a democrácia começa a desaparecer. Eles afirmam que os eleitos em termos democráticos formam uma minoria. E não bastasse isso, esta minoria esquece suas promessas e tendo previlégios começa a sentir-se num novo papel. As vontades dos cidadãos são divididas em duas partes: de acordo com as possibilidades em solucionáveis e não solucionáveis.


Pois então, a crítica é essa, que se entendemos que a democracia é o governo da maioria, como podesse entender que a minoria à representa? Claro que há muitos mecanismos, como instituições, que tenta ver as possibilidades de aceitação das soluções. Também podemos dizer, defendendo a democracia, que ela tem a obrigação (falando sobre o mundo de hoje) de garantir, e garante! a liberdade de todos os cidadãos, o direito à livre escolha.


Mas a pergunta continua sem resposta: porque a maioria dos pensadores famosos olham de forma duvidosa para a democracia? E por que mesmo assim ela é a principal forma de governo do mundo? Talvez podemos resolver os maus entendidos quanto a divergência do que deveria ser a democracia e do que ela é, dando à ela uma noção mais possível e correta? E para responder a pergunta porque mesmo assim a democracia é a forma de governo mais adoptada, podemos recorrer ao ditado popular: “dos males, o menor”?


Não sou opositora da democracia, mas concordo que ela não é ideal. Se todas as outras formas de governo são piores, resta então escolher somente um,

Semente - Raul Santos Seixas, Brasil

Raul Santos Seixas, 1945 - 1989 “Todo homem, toda mulher É uma estrela”



Ele não foi um anjo, longe disso. Todos sabiam que o seu problema com as drogas e do álcool foi muito sério, inclusive ele morreu em decorrência disto. Mas Raul deixou mensagens muito importantes que conseguem até hoje atingir a alma de muitas pessoas, desde os mais jovens aos mais velhos, despertando-as muitas vezes.

Raul Seixas foi um famoso cantor e compositor, considerado por muitos como um profeta do povo. Ele foi um gênio, com uma genialidade que todos entendiam. A simplicidade, ironia e humor eram sua matéria-prima.
É errado falar no pretérito de Raul, pois as palavras nas suas canções trazem verdades e buscas que foram, são e serão actuais.
A sua obra é tão genial que a cada novo estágio da vida ela tráz uma nova mensagem... é uma obra viva, onde podemos buscar conselhos sempre que precisarmos.

Brincando com o Rock and roll dos anos 50-60 e a música popular brasileira, fez músicas que até hoje multidões cantam.
Suas canções trazem temas cotidianos e profundos da vida, incentivando a busca do "eu" e repudiando a repetição irracional dos costumes e pensamentos, lutando de frente contra o conformismo e buscando sem medo a felicidade real.

Muitas vezes isso tocava a política. Raul sempre teve um grande problema com a censura (naquela época o Brasil vivia uma ditadura militar), e depois de lançar a canção Sociedade Alternativa, que era também um projeto, foi até mesmo preso e torturado, e teve que exilar-se nos EUA.
Quando a situação ficou mais calma retornou ao Brasil, mas ainda muitas de suas canções foram censuradas e nunca chegaram aos fãns.

A misticidade também sempre acompanhou a obra de Raul Seixas, principalmente quando compunha letras com o escritor Paulo Coelho. Desta parceria surgiu canções com grande profundidade e carregadas de segredos da vida, que tornaram-se hinos para muitos. Como por exemplo a canção “Gita” de 1974, que foi escrita pela dupla inspirando-se no texto sagrado hindu Bhagavad Gitã (A canção de Deus).

Paulo Coelho certa vez disse: “Raul Seixas não é passado, é presente! Futuro!”

Abaixo colocarei alguns trechos de algumas músicas, para que possamos perceber um pouco do que o “Maluco Beleza” queria nos passar:

Sociedade Alternativa
composição: Paulo Coelho e Raul Seixas
“Se eu quero e você quer Tomar banho de chapéu Ou esperar Papai Noel Ou discutir Carlos Gardel
Então vá! Faz o que tu queres Pois é tudo Da Lei!
"-Todo homem, toda mulher É uma estrêla"
Viva! Viva A Sociedade Alternativa...”

"Gita"
composição: Raul Seixas e Paulo Coelho
“Eu sou a luz das estrelas Eu sou a cor do luar Eu sou as coisas da vida Eu sou o mêdo de amar...
Eu sou, eu fui, eu vou..
Gita! Gita! Gita!
Eu sou a vela que acende Eu sou a luz que se apaga Eu sou a beira do abismo Eu sou o tudo e o nada...
Eu sou o início O fim e o meio...”

Carpinteiro do Universo
composição: Raul Seixas e Marcelo Nova
“Não sei por que nasci pra querer ajudar a querer consertar O que não pode ser...
Estou sempre, pensando em aparar o cabelo de alguém.
E sempre tentando mudar a direção do trem.
À noite a luz do meu quarto eu não quero apagar,
Pra que você não tropece na escada, quando chegar.
Carpinteiro do universo inteiro eu sou...”

Tente outra vez!
composição: Raul Seixas/Paulo Coelho/Marcelo Motta
“Queira! Basta ser sincero E desejar profundo Você será capaz De sacudir o mundo, Vai!
Tente outra vez! E não diga Que a vitória está perdida Se é de batalhas Que se vive a vida
Tente outra vez!...”

"Metamorfose Ambulante"
composição: Raul Seixas
“Eu quero dizer Agora o oposto Do que eu disse antes
Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo
Sobre o que é o amor Sobre o que eu Nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela Amanhã já se apagou Se hoje eu te odeio Amanhã lhe tenho amor
É chato chegar A um objetivo num instante Eu quero viver Nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo...”

"Maluco Beleza"
composição: Raul Seixas
“Enquanto você Se esforça pra ser Um sujeito normal E fazer tudo igual... Eu do meu lado Aprendendo a ser louco Maluco total Na loucura real...
Controlando A minha maluquez Misturada Com minha lucidez...
Vou ficar Ficar com certeza Maluco beleza...”

obs.: depois desta música muitos começaram a chamá-lo simplismente de “Maluco Beleza” e ele aceitava este apelido com todo o gosto,
pois dizia que fez muitos vestibulares para merecer tal apelido,


Com muito respeito à esta pessoa que de forma muito intensa me influenciou e influencia,
Vladas Bartochevis